• 16 setembro, 2021

Ansiedade: entenda cientificamente4 min

O estilo de vida moderno é muito propício ao sentimento de ansiedade. É necessário lidar com altos graus de cobrança intelectual e profissional, sobrecarga de tarefas, intolerância ao erro e tecnologias cada vez mais velozes. Hoje, o dinamismo, a velocidade e a agilidade são virtudes bastantes valorizadas, o que em muitas pessoas leva a maior grau de estresse.

Mas afinal, o que é ansiedade? No dicionário Houaiss, ansiedade é um estado afetivo penoso, agoniante, perante um sinal de perigo real ou ilusório, sobre o qual o indivíduo se sente inseguro ou indefeso. Esta é uma definição psicológica que descreve o estado íntimo do indivíduo sob este sentimento. Contudo, do ponto de vista científico há mais detalhes.

No livro O cérebro ansioso, do psiquiatra brasileiro Leandro Telesem consenso com a comunidade científica, o autor define a ansiedade como um conjunto de reações psicofisiológicas relacionadas à antecipação de eventos futuros e incertos, sejam eles de caráter agradável ou desagradável.

Embora parecidas, na segunda definição há alguns conceitos importantes a serem explorados. Primeiro, a ansiedade é uma reação fisiológica, corporal, orgânica, isto é, o corpo naturalmente produz esse tipo de emoção. Ou seja, ela é um conjunto de reações corporais que preparam o corpo para um determinado evento. A ansiedade nada mais é do que a reação do cérebro se preparando para ter uma resposta adequada a um determinado estímulo. Uma emoção ou sentimento tem a função de gerar comportamento.

A ansiedade, também chamada de antecipação ao estresse, pode levar o indivíduo a aumentar sua organização para uma viagem, se preparar melhor para uma palestra, tomar melhores providências na hora de dirigir etc. Isto se deve à ativação do sistema nervoso simpático: há liberação de cortisol e adrenalina no sangue, as pupilas se dilatam, os músculos se enrijecem, a frequência cardíaca e a atenção aumentam. Todas estas mudanças levam o corpo a agir com maior prontidão quando um perigo real se aproxima.

A falta de ansiedade pode ser tão prejudicial quanto o excesso dela. Sem essas reações, a pessoa fica apática, sem força de vontade e preguiçosa; perde a ambição e a motivação para alcançar certas metas e conquistas. É um estado mais próximo da depressão.

Contudo, o problema maior enfrentado pela maioria das pessoas é a ansiedade excessiva. Quando desregulada, a ansiedade causa prejuízo emocional e cognitivo. Essa desregulação pode ser em intensidade – quando pequenos estímulos geram grande ansiedade – ou em duração – quando o sentimento perdura mesmo sem motivo. Daí nascem os transtornos de ansiedade.

A comunidade médica voltou a atenção para este tipo de transtorno somente no século XX, mas a descrição de estados psicológicos ansiosos é feita em todas as culturas há muitos séculos. Isto reforça o caráter biológico deste tipo de diagnóstico. Dentre os múltiplos tipos de transtornos, podemos citar o transtorno de ansiedade generalizada (TAG), a síndrome do pânico (SP), o transtorno obsessivo-compulsivo (TOC) e o transtorno do estresse pós-traumático (TEPT). Todos eles são diagnósticos psiquiátricos graves relacionados a respostas excessivas ao estresse. Atualmente (Ano base: 2021), estima-se que cerca de 1 a cada 5 pessoas tem ou terão alguma modalidade de ansiedade patológica.

Todos esses diagnósticos, sejam em intensidades leves, moderadas ou graves, ou mesmo outras variações de ansiedade, podem ser desenvolvidas a partir do estilo de vida pessoal. Má alimentação, sedentarismo, relacionamentos tóxicos ou ambições fantasiosas podem levar a um quadro de ansiedade excessiva. É importante reiterar este fato: a ansiedade tem sim uma base fisiológica forte, mas ela depende da interpretação da realidade feita pelo indivíduo. Após o uso de medicação e a realização das mudanças básicas no estilo de vida, é necessário também mudar os próprios valores, hábitos e ambições pessoais. 

A ansiedade é um sentimento que está relacionado a um conjunto de reações psicofisiológicas, as quais antecipam o estresse. Ela pode assumir formas benéficas, nos levando a atingir nossas metas, bem como formas patológicas, causando prejuízo emocional ou cognitivo. Se quiser saber mais sobre o tema, leia os demais artigos de nosso site!

Autor: Luiz Paulo Ramos Cardoso Filho

Fonte Agenda Positiva