• 25 agosto, 2020

Por que sentimos falta de conversar com estranhos2 min

Sabe aquela conversa despretensiosa no caixa do supermercado ou no elevador? Ou então aquele papo de balcão de bar? Ou ainda quando você conhece um amigo do amigo em uma festa qualquer? Essas relações são chamadas de laços sociais fracos e são muito importantes para a nossa vida —apesar de não parecer. E, olha, estão fazendo muita falta em tempos de distanciamento social.

Essas interações foram removidas de nossas vidas durante a pandemia do novo coronavírus. Reclusos, perdemos essa socialização com quem não é do nosso núcleo social permanente. E se esses laços sociais mais fracos eram importantes na vida pré-Covid, hoje são mais cruciais do que nunca, destaca essa matéria do jornal inglês The Guardian.

Em 1973, o sociólogo da Universidade de Stanford Mark Granovetter escreveu um artigo chamado “The Strenght of Weak Ties” (A força dos laços fracos, em tradução livre). Lá ele explica que embora as conexões sociais mais fortes (como família e amigos) sejam fundamentais para a nossa vida — afinal é onde sempre nos apoiamos — os laços mais distantes (esses que falamos no início do texto) acabam tendo também um papel importante para o desenvolvimento de nossas potencialidades e carreira.

Esses elos mais fracos da nossa rede social, sugeriu o sociólogo, seriam os “facilitadores” para a entrada de novos projetos, empregos e ideias.

E por que fazem falta justamente nesse momento? Segundo a professora Stephanie Morgan, da Kent Business School, porque esses conhecidos recentes trazem novas maneiras de pensar e agir — o que provavelmente você não terá do seu círculo social mais próximo.

“Tantas pessoas estão sem emprego ou enfrentam desemprego, e são os laços fracos que dizem: ‘você considerou isso?’ ou ‘alguém que conheço pode precisar que você faça isso’”, explica Morgan ao jornal inglês.

Redes sociais “digitais”

Você pode pensar que essa falta dos laços sociais mais fracos poderia ser compensada com interações nas redes sociais “digitais” (como Facebook, Instagram, Twitter, Tik Tok etc). Mas, na realidade não.

“O que a maioria das pessoas faz online é ficar com pessoas que elas conhecem, ou cujas visões e perspectivas elas concordam”, diz Morgan. Ou seja, não colhemos todos os benefícios e desafios que uma conexão aleatória pode trazer.

Como cultivar laços sociais fracos agora?

Segundo a psicóloga Lucy Atcheson, outra especialista ouvida pela reportagem, devemos fazer exatamente o que faríamos para aumentar essa rede de relações — só que a distância. A sugestão dada por ela é entrar em contato por telefone ou mídias sociais dos amigos de amigos. “A mesmice do dia a dia podem levar embora o otimismo. Por isso a nova energia de um laço social fraco pode ser muito significativa.”

Fonte: Viva a Longevidade 14/08/20