• 21 julho, 2020

O que se leva da vida2 min

A cada passo que damos nos desencontramos de tudo que um dia foi presente. Conhecemos novos ares, nos apegamos a novas pessoas e, mesmo sem perceber, acabamos nos desapegando do passado, nos desencontrando do que ficou pra trás.

É possível sentir saudade do que nunca se teve de fato, algo desconhecido e que mexe com o mais profundo das nossas emoções. É como se o desconhecido fosse parte da nossa alma. Sentimos isso todos os dias e procuramos, de todas as maneiras, o pedacinho que falta para completar esse mosaico.

Quando encontramos algo ou alguém que tenha o formato que falta na nossa alma, é como se o mundo fizesse realmente sentido. Aspiramos ao futuro como quem aspira flores de um imenso e perfumado jardim. Planejamos cada passo que virá a seguir.

Força para o caminhar

Mas, às vezes, com o passar do tempo os formatos vão mudando, e por vezes deixam de se encaixar. Nessas horas, tudo que nos resta a fazer é colocar na bagagem as lembranças e os pedacinhos que restaram dessa experiência e simplesmente seguir em frente.

Ao seguir em frente, levamos conosco todo sentimento, toda bagagem, toda vida vivida até ali, e aos poucos vamos acrescentando mais e mais desencontros, lembranças e entulhos do passado. Quando tudo se torna pesado demais para carregar, vamos nos livrando pelo caminho do que já não nos serve mais. E então, aparece alguém para nos ajudar a carregar o que restou até nos tornarmos fortes o suficiente para seguirmos sozinhos.

Somos todos confusos, ninguém sabe ao certo o que realmente quer e em meio a tantas tentativas de nos encontrarmos acabamos nos desencontrando. Nos desencontramos de pessoas, sentimentos e até mesmo da própria vida, simplesmente porque é impossível ter o controle de tudo o tempo todo. Até que percebemos que em cada desencontro há um novo encontro, porque a vida é como uma estação de gente que vai e gente que fica, gente que procura seu lugar no mundo

Fonte: Vida Simples 09/07/2020