• 15 setembro, 2020

Falta de vontade de socializar não é ser antissocial: saiba quando é normal3 min

Antes da pandemia, sempre causava uma estranheza ver uma pessoa que adora uma badalação passar por uma fase mais tranquila e preferir ficar em casa, curtindo uma série. Mas isso é normal. Assim como está tudo bem em ter momentos durante o isolamento em que não se quer participar das reuniões no Zoom ou mesmo ficar mais na sua.

Muita gente chama esse tipo de fase de “antissocial”, só é importante explicar que a falta de vontade de socializar é diferente de uma patologia chamada transtorno de personalidade do tipo antissocial. Ou seja, considerar antissocial aquele que está mais afastado das reuniões sociais é realmente um equívoco.

Há pessoas que convivem bem com essa solitude, pois se sentem mais produtivas e já aprenderam a apreciar a própria companhia. E isso é muito positivo desde que não provoque tristeza ou ansiedade.

“Os seres humanos são sociais e possuem a necessidade de pertencimento. Dessa forma, esse comportamento não é esperado”, reforça o psicólogo Ricardo Wainer, psicoterapeuta Cognitivo-Comportamental e professor titular do Curso de Psicologia da PUCRS (Pontifícia Universidade Católica Rio Grande do Sul). Portanto, essa vontade também não pode tornar-se um hábito. Ou seja, trocar o convívio social e não querer falar com outras pessoas por um período prolongado, não é considerado saudável.

Por que prefiro ficar sozinho? 

“Essa vontade de ficar só pode se dar por causa de questões psicológicas como timidez excessiva, falta de confiança nas pessoas, medo de se expor, entre outros”, conta Andrea Lorena da Costa Stravogiannis, psicóloga e doutoranda em Ciências pela FMUSP (Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo). E nesse caso, é importante buscar ajuda para vencer a dificuldade e conseguir socializar.

Afinal, essa dificuldade em socializar pode trazer prejuízos ao indivíduo atrapalhando as conquistas acadêmicas, profissionais e pessoais. Além de provocar tristeza, autocobrança, baixa autoestima e até levar a depressão, devido ao não enfrentamento social. “A capacidade em ficar só e sentir prazer com a própria companhia é positivo, mas é preciso diferenciar essa solidão de um padrão de fuga e evitação de contato social, pois isso pode trazer sofrimento”, diz o psicólogo Sérgio Eduardo Silva de Oliveira, PhD, docente na UnB (Universidade de Brasília).

Pode ser apenas uma fase

Existem períodos na vida em que ficar mais recluso pode ser necessário, como por exemplo, um rompimento amoroso ou a perda do emprego —ou durante as incertezas de uma pandemia. Em algumas faixas etárias isso também pode estar mais presente como na adolescência, quando o jovem prefere não participar das reuniões familiares, ou numa fase mais madura em que atividades mais tranquilas e isoladas podem trazer mais prazer que o burburinho social.

Para Oliveira, a falta de vontade em socializar transitória é natural e, muitas vezes, não implica em problemas para a pessoa. “Após um evento estressor ou restrito a um contexto é até esperado esse padrão de comportamento, e ainda assim não é regra. Têm pessoas que após um evento traumático preferem buscar apoio externo”, lembra o especialista.

Mas pode ocorrer em decorrência de uma doença mental.

A depressão, a fobia e alguns transtornos mentais podem levar ao isolamento e, neste caso, é fundamental ter um diagnóstico eficaz para tratar a raiz do problema. “Se o comportamento começa a trazer prejuízos interpessoais e profissionais, é indicado a psicoterapia para entender a função deste isolamento e se há dificuldades de interação social”, confirma Stravogiannis. Por isso, é importante ficar de olho se essa falta de vontade de socializar está sendo proveitosa ou prejudicial. Para ajudar, os especialistas indicam algumas situações que podem dar um sinal de alerta:

  • Se estiver restringindo a funcionalidade da pessoa;
  • A pessoa apresenta maus desempenhos em ambientes como escola e trabalho;
  • Não consegue estabelecer relações profundas, como um namoro;
  • Restringe seus contatos apenas aos familiares;
  • Não consegue ter amigos;
  • Apresenta altos níveis de ansiedade.

Fonte: Minha Vida 31/08/20