• 28 julho, 2020

Crianças transmitem o coroanvírus?2 min

Uma notícia circula nas redes sociais e informa erroneamente no título que crianças não transmitem coronavírus aos adultos. A matéria ainda ilustra um senhor abraçando uma criança. Seria uma ótima novidade se fosse verdade, mas não é. ⁣

Os cientistas ainda estão tentando descobrir exatamente qual o papel das crianças na pandemia de coronavírus. Desde o começo do surto, as escolas foram fechadas e as crianças foram afastadas do convívio com outros colegas e impedidas de abraçar seus avós. Recentemente, o governo da Suíça revisou suas orientações sobre o tema depois de consultar especialistas de universidades em Zurique, Bern e Geneva. Segundo as autoridades suíças, crianças com menos de 10 anos estariam livres para abraçar seus avós porque, em tese, elas não transmitem o vírus. Aliás, um adendo: na Suíça, os avós podem abraçar seus netos bem rapidinho, mas o governo ainda não indica que eles cuidem dos pequenos e nem que passem muito tempo com eles. Um estudo francês, que não foi revisado por outros cientistas, também afirma que as crianças “parecem menos contaminadas e menos contaminantes”. Mas, atenção, esse não é um consenso na ciência. ⁣

Dois estudos recentes vão na direção oposta. Uma pesquisa publicada na revista científica Science no fim de abril utilizou um modelo matemático e estimou que o fechamento das escolas conseguiu reduzir o pico de transmissão entre 40% e 60% e, consequentemente, atrasa o curso da epidemia. Um segundo estudo, que não foi revisado por pares, foi realizado por um grupo de pesquisadores alemães. Os resultados apontaram que as crianças que testam positivo para o coronavírus têm tanto vírus quanto os adultos e, por isso, seriam transmissoras também. ⁣

Essas evidências são definitivas? Não. É só uma ilustração de que os cientistas ainda estão pesquisando o assunto e que não é possível tirar conclusões certeiras. Além disso, o retorno de atividades escolares e de contato, depende também da situação da epidemia em cada país. 

Fonte: Futuro da Saúde 16/06/2020