• 15 setembro, 2021

Conheça os benefícios do leite vegetal5 min

O leite vegetal surgiu para substituir o leite animal nas dietas de intolerantes à lactose e alergias à proteína do leite, mas vem ganhando força e a preferência dos brasileiros por suas propriedades únicas.

Hoje em dia os leites vegetais estão em alta e são conhecidos por boa parte da população. Mas pouco se sabe da sua história: a data e o local exato do seu surgimento é um mistério. Sabe-se apenas que a primeira bebida vegetal era feita de soja e já era consumida séculos atrás como opção ao leite de origem animal.

Estima-se que 65% da população mundial têm algum nível de intolerância à lactose. Essa condição é mais frequente em países do extremo oriente, como a China, o que explicaria o grande consumo do leite de soja nesta região há tantos anos.

Por fim, a bebida à base de soja só chegou ao Brasil na década de 1990. Era inicialmente consumida apenas por pessoas alérgicas à proteína do leite de vaca ou por intolerantes à lactose. Entretanto, logo virou também uma alternativa aos adeptos da dieta vegetariana, vegana e de pessoas que desejam diminuir o consumo de alimentos de origem animal. E foi por isso que começou a ser chamada de ‘leite vegetal’.

Leite ou bebida vegetal?

Segundo a nutricionista Alessandra Luglio — consultora científica da marca A Tal da Castanha e diretora do Departamento de campanhas da Sociedade Vegetariana Brasileira — faz sentido chamar esse tipo de bebida de leite vegetal, por ser uma alternativa ao leite animal. “Temos trabalhado muito a questão regulatória por causa da ascensão do mercado plant based (à base de plantas).

O leite vegetal já é usado da mesma forma que o leite animal: no café, em vitaminas, no bolo, no estrogonofe. A similaridade de nomenclatura facilita a interpretação e analogia entre o alimento de origem animal e vegetal”, explica Alessandra.

Entretanto, com o crescimento da demanda por mais opções, outros tipos de leites vegetais chegaram ao mercado. O mais consumido ainda é o leite de soja, mas Alessandra explica que a variedade é enorme. “São muitas as opções: de castanha, aveia, coco, amendoim, por exemplo. O leite de castanha de caju, por exemplo, já é o segundo mais consumido e acredito que em breve o de aveia também vai estar na lista de preferências dos brasileiros”, conta.

Ricas em vitaminas

De acordo com a nutricionista, as bebidas vegetais variam muito em relação ao seu perfil nutricional. “São altamente nutritivas, ricas em vitaminas, minerais e nutrientes antioxidantes. O que favorece o bom funcionamento do organismo. São fontes de gorduras boas e opções isentas de lactose, caseína e, na maioria delas, de glúten. Logo, muito interessante para pessoas que possuem intolerâncias ou alergias a esses nutrientes”, revela.

Entretanto, apesar de terem um apelo mais saudável, muitas opções presentes no mercado apresentam adição de diferentes tipos de açúcares, adoçantes, aromatizantes, corantes, emulsificantes e estabilizantes. Alessandra alerta para a importância de prestar atenção para o rótulo e a dica é: quanto menos ingredientes, melhor.

“Existem alternativas, como o leite de castanha da Tal da Castanha, que tem apenas castanha e água. E o de aveia, com apenas quatro ingredientes, é livre de óleo e fortificado de cálcio. Um copo de 200ml apresenta 400mg de cálcio, ou melhor, 40% das recomendações diárias, por exemplo”, explica a nutricionista.

Dessa forma, para quem  quer variar as castanha e a aveia, as opções são bem variadas. Amêndoa, Caju+Amendoim, Caju+Coco, Choconuts, Mixed Nuts e o Barista — versão vegetal criada especialmente para quem deseja saborear o tradicional café com leite sem sentir a diferença.

Tem para todo mundo!

Além disso, a crescente popularidade do leite de castanha, amêndoa e coco também está aumentando a demanda por essas bebidas por pessoas cada vez mais jovens. Com praticamente o mesmo nível de proteínas, minerais e vitaminas e de digestão mais fácil que os lácteos convencionais, as bebidas vegetais já estão sendo consumidas também pela garotada.

Segundo Alessandra,  os leites vegetais são indicados para crianças a partir dos dois anos de idade. “Na verdade, nenhum tipo de leite, nem mesmo o de vaca, deve ser oferecido para crianças antes dessa faixa etária sem orientação de um pediatra”, esclarece.

De acordo com a nutricionista, as opções infantis existem e podem ser consumidas as que têm adição de cálcio e de proteínas. Porém, sempre de acordo com as necessidades nutricionais de cada fase. “A Tal da Castanha criou o Mini, bebida vegetal pronta, orgânica, zero lactose e caseína, e muito nutritiva”. Por fim, ela ressalta que a Mini é livre de aditivos artificiais e tem uma lista de ingredientes pequena e simples de ser reconhecida. Tais como a castanha de caju orgânica, a água e o açúcar demerara orgânico, além de ser enriquecida com cálcio, proteína e fibras.

Vai, planeta!

Além de todas as características nutricionais, uma (enorme) vantagem dos leites vegetais quando comparados ao de origem animal é que a sua produção é menos danosa ao meio ambiente. Os adeptos ao consumo responsável vão gostar de saber que se utiliza menos água na produção de bebidas de origem vegetal do que na produção e processamento do leite animal. A emissão de gases de efeito estufa também é bem menor na produção de bebidas vegetais.

Dessa forma, a origem dos ingredientes, os métodos de cultivo, o processamento e a embalagem, geralmente mais sustentáveis que os métodos de produção animal, também são pontos positivos importantes para os consumidores antenados com o bem-estar do planeta.

Vegetal x animal

De fato, os produtos de origem vegetal estão evoluindo como substitutos perfeitos para os de origem animal. Dados da Forbes e da Persistence Market Research revelam que o consumo de laticínios deve cair 27% até 2023. Enquanto que o consumo de alternativas à base de vegetais deve crescer 108%. A projeção considerou o período entre 2013 e 2023.

Ainda de acordo com o relatório, o setor global de carnes e laticínios está atualmente passando por um nível sem precedentes de competição e turbulência. Impulsionado, principalmente, pelo crescimento de alternativas plant based, ou seja, feitas de plantas.