• 28 julho, 2018

Cerque-se de pessoas positivas: amigos influenciam sua saúde e felicidade6 min

Será que você está passando seu tempo com as pessoas certas para sua saúde e sua felicidade?

Enquanto muitas pessoas focam principalmente na dieta e nos exercícios físicos para melhorar a saúde, a ciência sugere que nosso bem-estar também é influenciado por aqueles que estão ao nosso lado. Pesquisadores descobriram que alguns comportamentos de saúde parecem ser contagiosos e que nossos círculos sociais –pessoalmente e on-line– podem influenciar a obesidade, a ansiedade e a felicidade em geral.

Recentemente, eu me lembrei do poder das pessoas durante um cruzeiro de bem-estar patrocinado pela Times Journeys. O evento atraiu um grupo de viajantes com ideias parecidas que, apesar de experimentar níveis diversos de adversidade em suas vidas, entre elas câncer, perda de visão e a morte recente de uma pessoa querida, eram incrivelmente otimistas e alegres. O grupo tinha gente com idades entre 17 e 90 anos. Um homem inspirador, na casa dos 80 anos, adotou um estilo de vida vegano e uma rotina estrita de exercícios para controlar seu diabetes. Outra amiga que fiz, uma mulher de cerca de 50 anos que sobreviveu a um câncer de pulmão, conseguiu me animar e me manter focada durante um exercício físico particularmente difícil.

Depois da viagem, prometemos nos manter em contato. Animada pela experiência, voltei para casa com um compromisso renovado não apenas de fazer exercícios e viver de maneira mais saudável, mas também de simplesmente intensificar minha vida social e passar mais tempo ao lado de pessoas felizes. Dan Buettner, pesquisador e autor da National Geographic, estudou os hábitos de saúde das pessoas que moram nas chamadas zonas azuis –regiões do mundo onde os idosos vivem muito mais do que a média. Ele percebeu que as amizades positivas são um tema comum nessas áreas.

“Os amigos são capazes de exercer uma influência mensurável e contínua em seus comportamentos de saúde de uma maneira que uma dieta nunca poderá”, diz ele.

Os habitantes de Okinawa, no Japão, um lugar onde a expectativa de vida média para as mulheres é cerca de 90 anos, a maior do mundo, formam um tipo de rede social chamada moai –um grupo de cinco amigos que oferecem apoio social, logístico, emocional e mesmo financeiro para a vida toda. “É uma ideia muito poderosa.

Tradicionalmente, eles são colocados em moais pelos pais quando nascem, e fazem uma jornada de vida juntos”, afirma Buettner.

Em um moai, o grupo todo se beneficia quando as coisas vão bem, por exemplo, ao compartilhar uma colheita abundante, e as famílias do grupo apoiam umas às outras quando uma criança fica doente ou alguém morre. Eles também parecem influenciar os comportamentos de saúde dos membros do grupo ao longo da vida.

Buettner está trabalhando com autoridades federais e estaduais de saúde, entre elas Vivek Murthy, que foi diretor nacional de saúde dos Estados Unidos, para criar moais em duas dezenas de cidades no país. Recentemente, ele passou um tempo em Fort Worth, no Texas, onde vários moradores formaram moais de caminhadas –grupos de pessoas que se encontram regularmente para andar e socializar.

“Descobrimos que, em algumas dessas cidades, você precisa apenas juntar pessoas que querem mudar seus comportamentos de saúde e organizá-las para caminhar ou fazer uma festa com alimentos saudáveis”, diz ele.”Nós os incentivamos a sair juntos por dez semanas. Criamos moais que hoje têm vários anos, e eles ainda estão exercendo uma influência saudável na vida de seus membros.”.

A chave para se montar um moai de sucesso é começar com pessoas que possuem interesses, paixões e valores parecidos. No início, a equipe da chamada Zona Azul tenta agrupar as pessoas com base na geografia e noshorários de trabalho e das famílias. Então, fazem uma série de perguntas para descobrir os interesses em comum. Sua ideia de viagem perfeita é um cruzeiro ou você prefere sair por aí com a mochila nas costas? Você gosta de rock ou de música clássica? Assina quais jornais ou revistas?

“Você arranja as coisas de um modo a favorecer um relacionamento de longo prazo”, conta Buettner.

Uma das minhas companheiras de viagem, Carol Auerbach, de Nova York, percebeu que se cercar de pessoas positivas ajudou-a a lidar com a perda de dois maridos ao longo dos anos. Auerbach ficou viúva aos 30 anos, quando seus filhos tinham apenas dois e cinco anos. Contando com o apoio da família e dos amigos, e com sua própria tenacidade, conseguiu manter sua família e acabou se casando novamente. Então, em 1992, seu segundo marido morreu de maneira inesperada. Para lidar com a perda mais uma vez, ela começou a fazer trabalhos voluntários e a contribuir com a comunidade.

Auerbach acredita que aprendeu a ter uma visão positiva com sua mãe, uma sobrevivente do holocausto que deixou a Alemanha aos 19 anos e nunca mais viu seus pais.

“Quando eu era jovem, não éramos ricos e nós quatro vivíamos em um apartamento de um quarto. Meus pais dormiam em um sofá-cama”, conta ela. “Minha mãe nunca reclamou. Acho que, secretamente, ela sabia que coisas difíceis acontecem, mas podemos nos sentir muito agradecidos pela vida que levamos e temos a responsabilidade de aproveitar ao máximo.”.

Finalmente, Auerbach encontrou o amor de novo e está casada com seu terceiro marido há 15 anos. “A vida é muito curta para ficarmos perto de pessoas negativas”, diz ela. “Preciso ter a minha volta gente que se importe comigo e que seja agradecida. Aqueles que veem o mundo como um copo meio cheio e não meio vazio.”.

A equipe Zona Azul criou um questionário para ajudar as pessoas a avaliar o impacto positivo de seus círculos sociais. São perguntas sobre seus amigos e o estado de saúde deles, o quanto comem e bebem e se fazem exercícios, assim como suas perspectivas. O objetivo não é abandonar seus amigos menos saudáveis, mas identificar as pessoas em sua vida que somam mais pontos e passar mais tempo com elas.

“Acho que a coisa mais poderosa para acrescentar anos saudáveis a sua vida é fazer a curadoria de seu círculo social mais próximo”, afirma Buettner, que aconselha as pessoas a focar em de três a cinco amigos da vida real e não em de três a cinco amigos da vida real e não em conhecidos distantes do Facebook. “Em geral você quer amigos com quem possa ter uma conversa significativa. Você pode ligar para eles em um dia ruim e eles vão se importar.Seu grupo de amigos é melhor do que qualquer remédio ou pílula antienvelhecimento e fará mais por você do que qualquer outra coisa.”.

FONTE: UOL VivaBem Equilíbrio – por Tara Parker Pope (Do New York Times)