• 1 setembro, 2020

Ageismo: como o preconceito contra idosos pode ser nocivo?3 min

Ageismo, também chamado de etarismo, é um termo que denomina a discriminação contra uma pessoa devido a sua idade. Apesar de qualquer faixa etária estar suscetível a esse tipo de preconceito, é mais comum que isso ocorra contra a população idosa.

Mesmo que a intolerância etária não seja tão explícita, ela acontece em qualquer momento e de todas as formas. Ao prestarmos atenção no nosso dia a dia, é possível que se fique cada vez mais evidente o quanto isso é uma realidade na sociedade.

Martha Oliveira, médica especialista em envelhecimento populacional, explica que, assim como preconceitos raciais e de gênero ganharam visibilidade nos últimos tempos, ao notarmos as atitudes gerais em relação aos idosos, essa violência se torna mais transparente.

Preconceito em evidência

Uma das principais situações em que o ageismo fica em evidência é quando alguém tem dificuldade para conseguir um emprego. Pessoas mais velhas são vistas como um grupo que pode adoecer com mais facilidade, ter dificuldade com questões tecnológicas e não produzir tanto quanto os mais jovens.

Durante a pandemia gerada pelo novo coronavírus, a culpabilidade e discriminação contra o idoso ficaram ainda mais fortes. Por pertencerem ao grupo de risco da COVID-19, esse público lida com julgamentos diários ao andar pela rua, mesmo que seja apenas para realizar atividades essenciais.

Casos de preconceito também aparecem em momentos de lazer, quando os idosos são questionados se não estão muito velhos para isso ao frequentarem festas e parques de diversão, por exemplo. Além de ambientes públicos, esse tipo de represália ocorre até mesmo dentro de casa.

“A gente não consegue entender que envelhecer faz parte de todos nós, incluindo possíveis dificuldades físicas. Por isso, precisamos preparar as pessoas, cidades e empregos para o envelhecimento da população”, conta Martha Oliveira.

Consequências na saúde mental

A questão é que os julgamentos constantes e a falta de oportunidades impactam diretamente a saúde mental desse público, provocando quadros graves de distúrbios psicológicos. De acordo com o Ministério da Saúde, em 2018, cerca de 11% dos idosos no Brasil lidavam com a depressão.

Ainda mais alarmante, o número de tentativas e mortes por suicídio de pessoas acima de 70 anos também apresentou crescimento significativo nos últimos anos. Além disso, transtornos mentais como estresse e ansiedade se tornaram mais comuns nesse grupo, principalmente pela dificuldade financeira causada pelos obstáculos para ingressar no mercado de trabalho.

Infelizmente, a população idosa também enfrenta um grande impacto físico na nossa sociedade. Além das ruas e ambientes não serem adaptados às suas necessidades, a violência contra o idoso é algo que vem crescendo com o tempo, sendo alvo de inúmeras denúncias todos os anos.

Como combater o ageismo

Segundo a médica Martha Oliveira, prestar atenção nas atitudes do dia a dia é uma das maneiras de diminuir os impactos do etarismo. Piadas e “memes” que viralizam na internet, por exemplo, podem até parecer inofensivos, mas servem para reforçar uma forte discriminação sofrida pelos idosos todos os dias.

“O Estado precisa estar atento à violência e preconceito que esse público sofre, criando ações de educação e proteção. É preciso imputar essa conscientização de que isso é, sim, uma discriminação, e pensar no que podemos fazer para melhorar a qualidade de vida dessas pessoas”, finaliza a especialista.

Fonte: Minha Vida  21/08/20